Os vazios tão cobiçados e tão criticados
de Brasília não são apenas planuras
de um projeto urbano ou várzeas de
uma cidade inconclusa. O vácuo entre
as arquiteturas da cidade são extensões
da alma brasiliense. Os que aqui nasceram
ou que aqui estão desde muito
alargaram os limites de sua existência
nos vãos entre o chão e o céu.
Digam os urbanistas contemporâneos
o que quiserem. Que os vastos
vazios dificultam a convivência, complicam
o ir-e-vir, desprezam a escala
do pedestre. Não tem do que discordar.
É uma lógica insofismável, mas
nem só de arrazoados vivemos nós, os
erráticos da Terra. As nuas lonjuras da
minha cidade me tranquilizam. Reduzem
em nós o impacto dos excessos
cosmopolitas. Os brasilienses habitamos
a anatomia do universo. Quase
nada nos separa da dimensão infinita
do existir. Tanto céu, tanta terra,
tanto horizonte, tantos vãos livres na
arquitetura do cosmo, que não poucas
vezes me esqueço de mim, das
bordas do meu corpo e do meu existir,
e estendo meus devaneios na imensidão
de minha cidade.
Faltam-nos o contato corpo a corpo
com o outro, é certo. Os despovoados
nos isolam uns dos outros. Entremim e
aquele que lá vai há dezenas de metros
de distância. Essa é uma das conjunturas
arquitetônicas que fazem do brasiliense
do Plano Piloto e áreas nobres
um sujeito meio reservado, algo arrogante.
Padecemos de deficiência demográfica
e de fartura espacial, circunstâncias
que foram moldando nossa
identidade.
Há uma solidão de pescador em cada
brasiliense. Nossas ondas são de asfalto
e nossas jangadas, de pneus. São
elas que nos conduzem pelos mares infindáveis
dessa cidade que não começa
nem acaba. Baudelaire, o poeta da cidade
moderna, dizia que o homem livre
sempre gostará do mar. O brasiliense,
nesse aspecto, habita os espaços vazados
da liberdade. Os pilotis suspendem
os blocos para nos dar passagem,
as demais larguras e longitudes nos
concedem a solidão.
Por mais habitado que seja, o brasiliense
é antes de tudo um solitário. Está
sozinho nas ausências de cidade dentro
da cidade, está sozinho diante das
outras cidades, está sozinho no espanto
de tentar entender esta cidade, está
sozinho na busca de saber-se nesta cidade.
O brasiliense não tem par a não
ser em si mesmo e em seus vazios —
desabitados, mas não desprovidos de
sentido. Toda Brasília evoca umsignificado,
e se ele não está escrito nos textos
de Lucio Costa e de todos quantos já estudaram
esta cidade, ele espera por alguém
que o escreva.
Por isso é que, quandoumnovo prédio
invade a plenitude do meu horizonte,
me sinto lesada. Roubaram o vazio
que me tranquiliza, me reorganiza eme
conduz. Minha lonjura é a lonjura de
minha cidade em mim.
Conceição Freitas
moves on Flickr.
sierva maria on Flickr.
Check out this mix on @8tracks: “Some Summer”
lindão.
Handmade contemporary jewelry with resin and real flowers, made by former flower farmer Sumner Smith
(It was very hard to choose just ten of these, take a look at the huge range of flowers here!)
… for it was the same pail in which he had drowned the kittens.
The cat held him by the feet, and the little kittens helped to push him in, and down he went into the cold water, and in spite of screams and struggles, shrieks and tears, Tommy was held under the water until he lost his senses.
From the Tribulations of Tommy Tiptop by M.B., 1887
(Source: nicoirl)
Cat fight: Boris vs. Manola on Flickr.
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namorado iluminado on Flickr.
experimentando dupla exposição.
Illustrations by Nichole Lillian.
“Gota d’água” - Chico Buarque (by guitarrazurda)
tou com esta música na cabeça desde sábado…